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Textos
O DiÁrIo dE uM LoUcO! (Fragmentos) (Lustato Tenterrara in: Elmano Sandino)
"Quando olho para mim... Não me percebo. Tenho tanto a mania de sentir Que me extravio às vezes ao sair Das próprias sensações que eu recebo." (Fernando Pessoa, in Álvaro de Campos)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! (Lustato Tenterrara in: Elmano Sandino) FrAgmenTOS do Capítulo I
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Outro "Ti"
Outro Bell's Outro Carlton... Depois outro e mais outro. E depois de ti? Por que não há outro "ti"? Por quê? [Que este sertão me cure deste porre Inebriante que a tua ausência Teima em me por na consciência] (Elmano Sandino, 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! 30.10.90 03:30 THE/04:30 BSB
Neste instante passou o vôo da VARIG. Vai para os teus ares, vai para o planalto. Quando nascer o sol... Estará sobrevoando a Asa Sul. Se em tuas lembranças, pelo menos houvesse pensamentos em mim. Apenas o louco pensa que sim. Se o louco não enlouquecer o homem, o homem destruirá a loucura do louco, antes que, impregnado em todos os seus átomos, o homem - e não apenas o louco - comece a delirar com o desejo da tua presença... como o sedento - no deserto - a ver oásis onde somente existem tempestades de areia! (Elmano Sandino)
"Um dia, quem sabe noite de um mês qualquer..." [mas] "... Juro que fico morrendo de medo... de não chegar cedo... de nunca chegar... Nos braços de quem me espera... Nos braços do meu amor... Ah! Meu Deus, se é felicidade, esse modo de ter saudade, eu queria morrer de dor!" (Clodo, Clésio e Climério - Banda São Piauí)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Meus Livros Mortos
Uma H-Ta e "A Minha Primeira Rima"
Meus livros mortos Escritos sem forma, amorfos São quase sempre tortos
Sentido passivo do não ser Existência insana do querer Medo atroz do saber
Templo de tenaz veneração Escoliose desta infindável armação
Vesgo de mirar ignota loucura Esperando discernir brandura Retorno eterno: Ilusão sem cura! (Elmano Sandino - dezembro/1990)
Veja o gênesis deste O DiÁrIo dE uM LoUcO! em: http://recantodasletras.uol.com.br/mensagensdeamor/514805 Circulo na Areia Um Poema Perdido no Tempo Elmano Sandino http://www.lustatotenterrara.com/visualizar.php?idt=514805
Minha Página Social, no Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16826612679448660402
Meus 'normais' Diários: www.lustatotenterrara.com/blog.php e http://lustato.blogspot.com
O DiÁrIo dE uM LoUcO! A Poção da Bruxa Errante
Trago comigo, espetado no peito a adaga vil de uma maga vã. Enquanto jorra um fluxo quente minando a força do sentido ardente, uma dança, em gargalhadas inverossímeis, improvisa-se naquele planalto rente, untado de frenesi.
Quando finda tenebroso ensaio, Não sai a maga em sua vassoura errante: Antes, desfila nas superquadras milimétricas, Num vôo rasante, Com o seu ‘aspirador de pó’ gigante. Antes da inconsciência, banhado naquele caldeirão fumegante, vislumbrei os feitiços elegantes proferidos ela bruxa errante quando, ainda fantasiada de musa, me entregou os seus olhos brilhantes, impregnou seu cheiro em meus sonhos... e sumiu. Voara para o seu castelo. Me atraiu de um encanto só... E, antes de fechar a porta, senti a adaga cortar a minha carne: Leito dos Inocentes. Eu era apenas mais um ingrediente da poção que ela preparara para restituir àquele sapo louro, sua condição de príncipe. (Elmano Sandino, dezembro, 1990)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! 31 de Março
HOJE ESTAREI ABSTÊMIO! Dispensarei aquela mina que, ontem, marquei para 9:30 AM, sem pensar... Não importa que estejas a beber o Néctar! Hoje não o provarei! Não importa nem mesmo O Gênesis que se processa dentro de ti. Hoje, ficarei só... Tolamente, talvez! Em celibato, pelo dia da tua Criação! (Elmano Sandino, 31 de março de 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Poemeto
Poderia assustar-me a tua presença?... Ou a tua ausência assustar-me-ia ainda mais!?...
E a tua essência?... Poderia o éter da tua essência afogar-me na inconsciência nua da tua presença?! (Elmano Sandino)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Grilos e Mariposas
Às vezes fico pensando... fazendo horas-extras nos bares.
Outras vezes procuro outros ares...
Sonhando quando estou só, comigo. Sozinho, quando estou com os amigos!
Aquela mina me socorre com carinhos E eu fico cá zangado comigo Pois me bate na mente que vivemos essas carícias Apenas por eu andar, assim, tão carente.
Por buscar assim, quase urgente, Uma mulher que, sendo ardente, Seja também, "amiga e companheira". Que saiba dialogar a realidade... Leia os livros que eu leio. Entenda o simples e o complexo. Discerne o côncavo e o convexo. (Elmano Sandino, 1991)
"INTERVALO" (Aldenires S Lima) "Na terra do nunca foi do será que será cada palavra-luta é um porto de sangue revestido de amor." (Aldenires S . Lima)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Lamento do Ar (Elmano Sandino e Cláudia Parnaíba)
"Atores estranhos Impediram O brilho ofuscar... ... Berrantes... Dissecantes, até." ... Impiau O lamento do vento, Tentando entrar Na água do mar! (Elmano Sandino)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Ilusão de Ótica
Ah! Benditos, malditos, bandidos Olhos que eu olhei! "O 'teu' destino é ser STAR"! O meu, é comer chocolate... Procurar outros ares... e comer mais chocolate. (Elmano Sandino, 1990)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Tantas Palavras Tontas
Preferes a mudez? A ausência de letras, num pedaço de papel? Rotules o louco, de tolo; O homem, de desesperado; O 'amor-pesado', de arcaico; A tua ausência e mudez, de presença e suspiros a outro. Escreves... Assines embaixo. Dessa Arte, terei um rascunho mais consistente Do que fomos nós! (Elmano Sandino, dezembro, 199O)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Paisagens
Quando contemplo Paisagens que teus olhos já viram; Horizontes que juntos deslumbramos; Luzes que, um dia, refletiram-se em tuas retinas; Uma pedra, onde repousastes, Um caminho, por onde passastes... Não consigo descrever O que me aflora a mente... Os sentidos juntos, novamente... Num rio que passa... Lentamente... Num pedaço de praia... Loucamente! Mas, de repente - tolo que sou - Vendo esta lua cheia e brilhante... Imagino que os olhos teus, Neste instante, Estão a mirar Para o mesmo lugar que os meus! (Elmano Sandino, 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Por um segundo... Apenas!
Por um segundo, um sorriso teu Fez festa infinita em minha vida E a estrada longa, inteira, Num giro da mente eu vi! Por um segundo, em um beijo teu Tive todo o' universo em meu corpo' E eu fui dono das estrelas! Por um segundo, apenas. [Manso riacho nos levando calmo e quente corrente aumentando, aumentando... mergulho sem fim] Por um segundo, um segundo só, Explodiu o nosso amor por sobre o mundo... E nós fomos só alegria... [depois o silêncio e, então, morri.] (Elmano Sandino)
INTERVALO ii - Um Poema Social - Dos Meus Tempos Adolescentes O DiÁrIo dE uM LoUcO: Tente Saber, Sentir, Notar, Ponderar! (dedicado para Eduardo Collier Filho) [Notei, perplexo, o teu olhar absorto, dotado de um sincero não-entender, enquanto eu te explicava a teoria (utópica?) do meu Eu. (Lustato Tenterrara)] Você já tentou saber do direito abandonado do envelope detonado na Sede da OAB?
Na Sede do Doi-Codi, A dor dilacerada a mente desfigurada você já procurou sentir?
Você já notou a mão do lobby, do 'apreciador de cavalos' nos deslumbrantes afagos ao cofre da Nação? A diferença que há entre "-Moço, deixa eu lavar o seu carro?" e "Hei, mina! Vamos tirar um sarro?"
Você já tentou ponderar? (Elmano Sandino, 1981)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Busca Incessante
Meu coração anda apertado e rouco de tanto te chamar (Elmano Sandino)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Mariposa
Assim vejo teus olhos... Impiau um ímã. Por isso esta pressa, Este desejo... Assim como uma mariposa, que mesmo morrendo Não sabe seguir seu caminho Enquanto não consumida pela atração fatal da luz que a chama. (Elmano Sandino)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Tic-Tac "Mera ilusão auditiva, graças à qual ouvimos sempre TIC-TAC e nunca TAC-TIC. Depois disso, como acreditar nos relógios. Ou nos homens?" (Mário Quintana) Tac-Tic Tempo, Vácuo implacável deste lapso insaciável que me devora e arde.
Tu, que sabes quem é, a toda hora, por que não permites que o fado da minha sorte encontre Aurora?
Por que teimas em tiquetaquear, Se sabes que todos estes segundos perdidos estão?
Por que permitistes Aquela ingrata hora?
Ah! Este vácuo que me persegue... Esta solidão.
Tempo! Deus maior destes momentos longos,. Escuta este ser, Que chora! (Elmano Sandino, 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! 19.03.1991 19:30 THE Cartas não enviadas
Por tudo o que houve e por tudo que ainda há PorVir, te remeto estes escritos, talvez, com o fito de pensar, que deste modo, de algum modo, tua lembrança bastará.
Pode parecer tolice te escrever após tanto tempo, mas, meu intento nem eu mesmo posso explicar.
Tantos meses... Tantos pensamentos loucos, sonhos e ilusões infindas.
Cartas não enviadas,
presentes que inda estão embrulhados,
cartões que não verás.
Numa de minhas não enviadas cartas eu te falei de uma pessoa especial. Te enviei, por um amigo, um "LP" que ela gravou (o primeiro). São letras e músicas muito bonitas, de autores desta terra mais quente que o sol.
Ficamos juntos até o Natal. No ano-novo, a deixei esperando e o nosso relacionamento esfriou.
Fiquei com inúmeras meninas e minas mas meus pensamentos estavam contigo.
Andava de bar em bar, procurando e te vendo passar... buscando alguém por quem delirar.
No aniversário de Mateus (filho de uma amiga), conheci 'De Maria'... que meu olhar despertou. Tentei sair diversas vezes com H-TA, porém, nunca dava certo.
Numa avenida conheci Lia Rachel. Porém andava muito no ar e nunca tive tempo para ela. quando tentei procurá-la, ela havia se tornado - de louca que era - em uma Seguidora de Jeová, do tipo que acha pecado até ouvir música.
Véspera de meu aniversário, [plagiando o pensamento de Milan Kundera (Franz)] Recebi o presente que me enviastes: Conheci Karla [é este o seu nome]. E somente poderia ter sido um presente de aniversário enviado por ti. Embora diferente, fisicamente, de ti, 'MeXeu' comigo...
E para minha desgraça, tornei-me novamente um adolescente... Desnudei minha vida, brincamos muito... Até pensei que nós amássemos.
Ah! Como sou adolescente, meu Deus. Karla me queria e eu queria Karla. Tantos momentos lindos que eu até pensei (infantilidade) que tivéssemos tempo para pensar.
Mas cada segundo passado não retorna, não se presta a construir um presente, muito menos um futuro. Então, estraguei Karla, com os meus sonhos, recebendo corda para me enforcar, ouvindo seus sonhos e planos e dotes. E eu já nem sei se ela tenciona apenas me pressionar para que eu tente algo maior ou se, simplesmente, está a me usar, tentando brincar de amar.
E eu já tinha, intimamente, pensado em tão cedo não acreditar nos planos que inda iria ouvir de outras bocas.
Mas não cogitei encontrar duas bruxas errantes num mesmo ano solar.
Olhando o tempo passado vejo que todas as vezes em que eu me desnudei, me entreguei, sempre que o fiz, fiquei machucado.
Muitas amigas me disseram (até minha irmã): 'Mulher é um bicho difícil, não gosta de homens apaixonados, que desnudam seus pensamentos, suas tensões. Muito menos de ouvir os seus lamentos.'
É... 'Tô' aprendendo (será?) Mulher gosta de homens rudes?! Que não mostram o que são internamente?!
Uma vez por Maria. Outra vez PorTi... Uma derradeira vez, por Karla.
Em todos estes meses, após tantas consoantes e vogais escritas para o planalto finalmente um flash inocultável veio redirecionar meus pensamentos. Pena que tenha sido tão efêmero. Porém serviu para dispersar meus pensamentos de ti. Minhas frases, que só pensavam em ti, e meus sonhos, que só por ti sonhavam.
Se houver um retorno de Karla, ou quando encontrar alguém... [Socorro de Maria, veio me socorrer, estamos num clima ótimo] Não incorrerei nesse mesmo erro.
Mesmo que um dia volte a me apaixonar, Ela saberá que dentro de mim sou apenas um louco que vive de bar em bar.
Quando pensar em telefonar, sairei pelos bares. (Elmano Sandino, março, 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! GeometricAmando
Se tudo é obra do Tempo e do Acaso, o tempo e o acaso que nos uniu podem também separar-nos E eu fico pensando nos pores-do-SOl que não veremos juntos...
Na geometria das paralelas que se cruzam somente no infinito e na ambigüidade de um Círculo Perfeito...
No equilíbrio de um TriÂngulo IsósCELES... E na fatalidade da existência de um único ponto onde se cruzam duas retas. (Elmano Sandino, 1991)
INTERVALO OVNI FERREIRA GULLAR (Fragmentos) "Sou uma coisa entre coisas O espelho me reflete ... Sou possivelmente uma coisa onde o tempo deu defeito" (Ferreira Gullar)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Confirmação de Ausência
E... De repente, você telefona... [e eu nem te dei meu número] Para confirmar que, nesta hora, o que estava confirmado seria apenas a tua ausência, agora. (Elmano Sandino, 1990)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! 30.10.1990 15:30 THE/ 16:30 BSB
Se o tempo não marca passo... Que descompasso! Se "a vida é cigana", e estou preso no paço... Se o acaso for um descaso... Se, antes de insano, eu te parecesse impuro, teria sido eterno o que durou um segundo? (Elmano Sandino, outubro, 1990)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! 25.10.90 02:45 THE / 03:45 BSB
Se o teu medo de me amar te bateu? Meus atos loucos te afastaram? Um detalhe, infantil, me entristece: Não ter te chamado (embora muito desejasse) para um breve olhar, apos ter confirmado o vôo de regresso. - meus medos não me permitiram! Tua presença: Teus olhos... Minha realidade: Buscar encontrar, noutro olhar, 'os olhos' que encontrei no teu olhar! (Elmano Sandino)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Ah! O Amor, esta Loucura
Tristeza sem fim e sem brandura. Quão triste pode ser o amor rápido e rasteiro. Em vez de ardor, um horror! Passo horas com minha companheira solidão Quando ela não me encontra, Eu parto em sua procura. Neste mundo tão pequeno, esta imensidão Por mais que brilhe o sol, Estou no escuro. Quando se cansa de ouvir os planos de outras bocas... Tão duradouros e brilhantes como as flores... Tão frágeis Tão efêmeras Fico pensando, cá, comigo, que o coração desses seus moços anos possivelmente é bem mais duro que os diamantes. (Elmano Sandino, 1991)
INTERVALO FAGUNDES VARELA "Salve, florestas virgens! Rudes Serras! Templos da imorredoura divindade! Salve! Três vezes salve! Em teus asilos Sinto-me grande, vejo a divindade! (Fagundes Varela)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Ah! Por Deus, eu te juro...
Se eu nunca tivesse te visto, Eu teria sonhado com o teu brilho com o teu cheiro a tua forma o teu olhar! (Elmano Sandino, 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! 03.12.90 13:00 THE
Eu poderia dizer que estou feliz. Poderia impregnar minha mente de tolices tantas.
De tesões que vêm e que vão. De tensões que existem e subsistem ao clarão da razão.
Poderia ter perdido o avião, naquele dia.
Não ter ido ao encontro do fim... do fim antes do meio do teu efêmero deslumbramento de verão.
Tantas palavras tontas. Inebriante sentimento de impotência. De não te ter arrastado neste ópio (in)consciente deste sonho que foram os planos que ouvi de tua boca.
Decerto, por certo, se não tiveres razão nesta tua decisão, nem sempre o melhor é estar com a razão, pois bem sei que não serias feliz ao lado de um tolo e louco ‘atro’ que sonha encontrar sua outra metade perdida neste deserto que é a nossa existência.
Que, mesmo cercado de oásis por todos os lados, teima em enxergar somente as tempestades de areia.
Indago qual teu motivo de não suportares nem mesmo a minha voz. Acaso traí meus pensamentos, com ações sem razão? Acaso não traístes nossas esperanças com a total desesperança? [Mas, meus estragos da noite incutem-me noções bem mais severas. Informam-me de fatos que, de fato, não poderia, aqui, relatar].
Se, passei da total abstinência para a total busca de prazeres e mesmo assim não encontrei o objeto da minha procura, por certo não são apenas prazeres o objeto da minha busca.
Acaso deveria ter relatado este último parágrafo?
Te informo, porém, que a mudança de polaridade também foi impulsionada pelos traumas que me açoitam a mente. Por frases que ouvi de tua boca, após o término de nosso relacionamento, e que, noite após noite, me torturavam.
Tua leveza para o amor me tortura, ainda, como uma gota, após gota, na fronte. A gota seguinte, vem sempre com maior intensidade, até que o barulho vai tornando-se ensurdecedor.
Mas essa leveza não seria a nova ordem do dia?
Não seria mais prazeroso ter-se várias experiências e mais outras e outras? Sem o peso de um sentimento arcaico e castrador da liberdade? Deveríamos evitar este peso? Fugir? Negar? Delegá-lo a outrem?
E, se ‘outrem’ estiver neste momento dentro desse avião da VASP que acaba de passar com destino ao Rio de Janeiro, com escala na Asa Sul?
Eu deveria ter ido ao aeroporto lançar um breve olhar, mas preferi ficar aqui, escrevendo palavras que não irás ler.
Saberei amar levemente? Acaso eu deveria desnudar-me dizendo que falta ânimo para o estudo, trabalho, prazeres? Mesmo sabendo que assim procedendo aumento a distância que existe ente nós? Mas, me pergunto: Algum dia irás ler estas palavras? Já que não tenho intenção de colocá-las nos Correios? E, se um dia remetê-las, imagino que procederás igual ao telefone. Rasgarás estas tantas palavras tontas sem lê-las, já que foges do peso que, teimo, coloco sobre teus ombros.
Novamente indago qual motivo tens para nutrir atroz repugnância pela minha lembrança? Ou imaginas que falando comigo irias fazer-me nutrir, ainda, alguma esperança?
Imagino que deves ter retornado para ele. Ou conhecido outro. Ou, ainda, outro. Todos leves... Partilham o mesmo tipo de desejos leves. Nada de peso e consistência. Que o pesado seja delegado a outrem.
Que é feio, arcaico e atroz amar como louco. Que somente os tolos, os loucos e os desesperados amam "como se não houvesse amanhã'"
Deveria não ter escrito este último parágrafo. Mas, plagiando novamente o pensamento de Milan Kundera, não houve, antes, um ensaio do que escrevi. Assim como não há um ensaio para a representação de nossas existências.
Porque não telefonas, não escreves? Sabias que a palavra escrita pode ser usada para finalizar, bem mais energicamente, um romance?
Preferes a mudez?
A ausência de letras num pedaço de papel?
Rotulas o louco de tolo; o homem, de arcaico; a tua ausência e mudez, de presença e suspiros a outro. Escreves. Assinas embaixo. Assim, terei um rascunho mais consistente do que fomos nós. (Elmano Sandino... O que, de tão louco, tornou-se um tolo)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Verbo Amar
Estes momentos no ar Olhando pores-do-sol, mirando as noites de Lua Cheia... Com os olhos virados para as estrelas... Quem sabe para pensar... No quanto um homem pode sonhar Quando encasqueta na cabeça O Verbo Amar! (Elmano Sandino, 1992)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Libélula
Qual a causa desta loucura? O belo; o Ser; o acaso? A beleza flui... Inexorável; O Ser desmorona-se com a loucura da mente; O acaso é temporal!... [Efêmeros dotes da minha Libélula: Inevidentes desta loucura Inestancável] (Elmano Sandino)
O DiArIo dE uM LoUcO! Natal 90
Incrível, Inacreditável, A imensidão da tolice Da loucura, Da paixão... De, com os pés no chão, Olhar o céu E descobrir a Lua! (Elmano Sandino, dezembro, 1990)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Peito Atado
Tenho a ti o peito atado... Mas, se em nenhum momento te tive plena... Por que, então, viver assim... aquebrantado! (Elmano Sandino, 1992)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Maxi-Burger [para Karla]
Hoje de manhã, queria comer um BIG-lanche Entrei na cantina E... Meu Deus! Caí sob a avalanche daquele olhar! Que fazer? Parar, andar, parar? Olhei para o teto, para o chão e para as vidraças do S É T I M O andar. E aquele sorriso ali... Tão natural, me impedindo de respirar: [Parece nem se lembrar (ser descomunal) que passavam-se somente 190 horas daquele frenesi.] Ah! Meu Deus... Nem consegui lanchar! Tudo que pedi foi Um suco de laranja com vitamina A. (Elmano Sandino, 1991)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Teresa
E eu, que por amar-te tanto vivo em tal tormento:
De te amar, Te querer... E nem te ver!
Teu nome, Teresa, é Marília... que amou Critilo enquanto não delatado...
Tal qual Marcela... que amou-me tanto!
Ah! Teresa, Teresa, Teresa...
Quantas vezes terei que te chamar... Minha Natália? (Emano Sandino)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! DEZ ANOS
Te quero... como quem respira! Te amo como quem vive! Te desejo como quem sonha! ... E eu, que sorri de um ano! Mal sabia eu que tuas pernas douradas ‘deceniariam’ minha vida naqueles miúdos três meses! (Elmano Sandino, outubro, 2000)
O DiArIo dE uM LoUcO! Est Veritas
Um Vulto de Mulher... Que me persegue! Te vejo sempre: Todo dia, todo dia... Mentalmente! Quisera te ver sempre, Natália: Todo dia, todo dia... Realmente! (Elmano Sandino, 2001)
INTERVALO ANTÔNIO BÁGGIO "Quando existe amor, não se escolhem palavras, não se calculam gestos, não se ensaiam atitudes." "Amor é mais que presença. É comunhão, supressão de distâncias, hospitalidade constante, prisão amorosa." (Antônio Baggio)
O DiÁrIo dE uM LoUcO! Outro Modo de Falar
Não posso me queixar de ter encontrado aquela mina, um dia.
Mas sei que vou deteriorar a minha mente se teimar em não deletar do disco rígido e da memória auxiliar todos os bits e bytes, todos os registros do arquivo do seu ar. Pois quando alguém sugere não ter tempo para o amor, pode estar querendo ser gentil, apenas um outro modo de falar em querer dizer 'não bateu', 'nada há a declarar' ou, simplesmente: ' - Vá passear!' (Elmano Sandino)
INTERVALO VINÍCIUS DE MORAIS "De manhã escureço De dia tardo de tarde anoiteço De noite ardo! (Vinícius de Morais)
O DiArIo dE uM LoUcO! Encontro dos Rios ou 'Tomei o Fósforo... E acendi o meu cigarro!'
No meu quarto faço versos...
Um universo, num instante!
Faço planos... Vôo alto!
Fujo da Bruxa Errante!
Erro o Caminho da Ponte!
Sou de Vera, de Princesas e Panteras.
Sou Louco!
Desfilam alvas 'De Marias'...
Desfilam Biancas Morenas...
Pores-do-Sol...
Pedra do Sal...
Encontro dos Rios. (Lustato Tenterrara in Elmano Sandino)
INTERVALO W.B. Yeats "Semeei meus sonhos onde você está pisando agora. Pise suavemente, porque você está pisando nos meus sonhos." (W.B.Yeats)
Veja o gênesis deste O DiÁrIo dE uM LoUcO! em: http://recantodasletras.uol.com.br/mensagensdeamor/514805 Circulo na Areia Um Poema Perdido no Tempo Elmano Sandino http://www.lustatotenterrara.com/visualizar.php?idt=514805
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Publicado em 31/05/2007 às 18h48
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